“Mãos Sangrentas”, o filme

17 04 2010

tela de abertura do filme

 Passado todo o drama da rebelião carcerária da ilha Anchieta, em 1952, poucos ousaram falar do assunto nos anos que se seguiram. Não nos referimos a reportagens jornalísticas e coberturas fotográficas que deram ao público do Brasil e exterior a extensão dos fatos. Quando se tem tragédias dessa dimensão, tocar em nomes, atitudes, ações e omissões torna-se algo muito delicado. Entretanto, com o suicídio de Vargas em agosto de 1954, o cenário político-administrativo da nação começou a mudar: novos governadores, novas linhas partidárias e, principalmente, uma mentalidade natural de “apagar os erros do passado”. E onde entra o filma da rebelião nisso tudo?     A ascenção de Jânio Quadros (1917-1992) ao governo do Estado de São Paulo numa eleição apertada com Adhemar de Barros (1901-1969), trouxe novos ares no sentido também de alterações no sistema penitenciário paulista: reformou-se o Carandiru, houve a criação de algumas colônias penais agrícolas no interior e extinguiu-se o Instituto Correcional da Ilha Anchieta. Nesse vendaval de moralizações e mudanças surge o filme como libelo não de cunho político, mas lembrança de um tempo não muito distante que revelou como a injustiça no trato com os presos aliada à estrutura deficitária geral de administração de um presídio “depósito de presos ditos perigosos” pôde desencadear a maior rebelião carcerária do mundo que se tem notícia. Mãos Sangrentas é um registro de raro valor artístico, com cenas violentas para a época em que foi feito e, por distar apenas 2 anos do acontecido, sugere uma vontade do povo e de artistas brasileiros em trazer todas essas questões acima descritas, ainda que tivesse que se deparar com obstáculos na concepção, filmagens e divulgação. Vale a pena conhecer este belo trabalho do cinema brasileiro da década de 1950, filmado no 2º semestre de 1954 e exibido no país e no exterior a partir de 1955.





Sessão na Câmara de Taubaté

15 04 2010

Notícia de última hora nos chega através da internet: solenidade hoje na Câmara Municipal de Taubaté. Veja o texto abaixo.

“Hoje à noite, às 20h, na Câmara Municipal de Taubaté (na Avenida do Povo), o Prefeito de Ubatuba, Sr.º Eduardo César, será homenageado por seus relevantes serviços em prol do resgate da história da Ilha Anchieta. O Ten. Samuel avisou e estamos repassando o convite para todos.”

As informações são de Magda Simões e Vanessa Cunha. Leia mais em Câmara de Taubaté entrega três títulos de cidadania





No tempo do descobrimento…

12 04 2010

Capitães do Brasil - vol. 3: a saga dos primeiros colonizadores (1999)

Quem nunca ouviu falar em Eduardo Bueno ? O jovem escritor ganhou fama quando dos 500 anos do descobrimento do Brasil ao lançar uma série de livros pela Editora Objetiva sobre o tema. Gaúcho, belo tipo faceiro, muito divertido e comunicativo, conquistou o país com seu jeito de escrever e falar, e até foi parar no “Fantástico” apresentando educativos quadros. Pois bem, ao inaugurarmos esta seção dedicada a ilha dos Porcos (nome que a ilha Anchieta ficou conhecida até 1934), temos que começar pelo 1º registro encontrado neste livro de sua autoria.      

O PORTO DOS ESCRAVOS – A presença de europeus era tão antiga em São Vicente que o cronista espanhol Gonzalo Fernandes de Oviedo (1478 – 1557) afirmou, em 1535, que alguns deles viviam ali desde 1503: seriam sobreviventes de um naufrágio ocorrido na Ilha dos Porcos (hoje Ilha Anchieta), que fica em frente a Ubatuba, uns 120 km ao norte de São Vicente. Depois de alguns meses na ilha dos Porcos, esses homens, de acordo com Oviedo, se transferiram para São Vicente. Ali, fundaram o vilarejo e deram início ao tráfico de escravos nativos em larga escala. (pg. 59)            

Bem, se você gostou desse relato histórico poderá baixar o texto completo do livro aqui ou, se preferir, ouvir do próprio autor uma entrevista sobre sua obra literária recente (2007).      

 





Ilha Anchieta – Rebelião, Fatos e Lendas

8 04 2010

O livro “Ilha Anchieta – Rebelião, Fatos e Lendas”, escrito pelo Ten. Samuel Messias de Oliveira, é a obra mais atual sobre a rebelião ocorrida na ilha, ao mesmo tempo documento de uma história viva. Com última edição em 2009, oferece uma excelente visão do acontecimento de 1952 e trata da criação, pelo próprio autor, do movimento de valorização histórica denominado “Filhos da Ilha”, que reúne os sobreviventes e parentes daquela página trágica da história de São Paulo.

Encontramos em seu capítulo inicial um breve resumo histórico da ilha Anchieta: povoamento; Hospedaria dos Imigrantes; presídio político da ditadura Vargas; transformação em presídio de segurança máxima com a criação do ICIA (Instituto Correcional da Ilha Anchieta); o movimento ideológico que sacudiu São Paulo no pós-guerra – a temível Shindo Renmei; a Rebelião de 1952; a época de abandono e posterior criação do Parque Estadual em 1977. Uma autobiografia  presente cobre a infância do autor até a criação da CPRHIA – Comissão Pró-Resgate Histórico da Ilha Anchieta.

O IIº capítulo trata da Rebelião propriamente dita, com fotos da Revista “O Cruzeiro” da época e relevantes biografias dos líderes do motim.

Em sua parte final (“Fatos e Lendas”) tem-se uma colagem de depoimentos dos Filhos da Ilha, incluindo biografias diversas, ocorrências de fatos, poesias e curiosidades. Acompanha lista de aproximadamente 10 páginas relacionando presos participantes do motim e oficiais que trabalhavam à época do ocorrido.

É um dos poucos livros, talvez o único, que faz referências ao filme brasileiro de 1954/1955 “Mãos Sangrentas”, cujo tema principal é a rebelião carcerária em foco. O mérito principal da obra reside no fato de seu autor não somente estar vivo  entre nós, que já é uma bênção, como também solícito a todo leitor que o procurar, seja via internet, seja na própria ilha para um bom papo com ele.

 

FICHA TÉCNICA: Ilha Anchieta – Rebelião Fatos e Lendas, por Ten. Samuel Messias de Oliveira; Viena Gráfica & Editora, 4ª edição – 2009.

Pedidos através de: tenentesamueldailha@ig.com.br





Elias é o cara

3 04 2010

Elias e Larissa, sua esposa e também monitora do Parque

  

 No Parque Estadual da Ilha Anchieta há uma turma boa de monitores ecológicos, porém um se destaca por sua simpatia, generosidade e simplicidade: é o Elias J. Santos, mais conhecido por Elias, monitor do Peia.      

Aqui na rede tem sido incansável sua divulgação das coisas da ilha. Bastante antenado e dotado de excelente grau de comunicação montou comunidades, vídeos, redes sociais… Venha conhecer algumas delas:      

 O blog mostra seu trabalho junto ao Peia – vale conferir vídeos da trilha do Saco Grande de onde se descortina o espetáculo do mar junto ao costão desta pequena enseada; tem manual de trilhas para baixar e também uma interessante experiência com deficientes físicos de Pindamonhangaba em visita à ilha como aquela que rolou em 2009;      

Página de vídeos onde se destaca uma série de 6 da Festa do Senhor Bom Jesus da Ilha Anchieta, em agosto do ano passado;      

Em seu Twitter a lembrança dos 33 anos de existência do Peia (29/03/2010) não passou despercebida;    

    

E, não obstante tudo isso, o primeiro point de comunicação criado por ele há um bom tempo foi na nossa velha e boa comunidade do Orkut – mas lá só entra se for conhecido dele, né?      

Tem alguém mais ligado na net do que nosso amigo Elias? Pois é, não é à toa que ele é o CARA!





Cuidado ao andar pelas pedras

25 03 2010

Aconteceu em nossa ilha nesta terça-feira p.p. As informações são do jornal eletrônico VNews





Manchete nº 11 (1952)

9 03 2010
foto de capa por Jean Manzon

fotografia de capa por Jean Manzon

  

Primeira reportagem que teria sua segunda e última parte publicada na semana seguinte, traz a revista Manchete, de 05/07/1952, um texto claro e objetivo do que foi a Rebelião. Já anuncia em sua abertura: “Nunca houve num presídio do mundo chacina mais brutal”, antevendo os contornos do acontecimento ao leitor mais atento. Existe coerência na sucessão natural dos fatos: a irrupção do levante no corte de lenha na mata, perseguição e mortes de soldados, plano frustrado ao tentar fugir em uma grande barca, entre outros. Acompanha uma dezena de fotos em que se vê muitos presos sendo recapturados em diversas situações, o sepultamento dos herois, bem como um conjunto de 6 pequenas fotos dos líderes apontados por esta reportagem, intitulado “Os Cabeças”. O texto de José Tavares de Miranda assinala alguns pontos controversos, a saber: a foto do preso de traços orientais morto e identificado erroneamente como o bandido “China Show”; os fugitivos que pereceram “no ventre de tubarões” e o soldado que verdadeiramente chegou a nado, segundo consta, até Ubatuba – Simão Rosa da Cunha – para dar o alarma ao continente.    Oportuno salientar o bom papel social da imprensa quando traz à reflexão, no encerramento da reportagem, os motivos da revolta: “maus tratos e péssima alimentação” dispensados aos detentos, algo constantemente assinalado em relatórios de corregedorias penais, mas que nem sempre ganham a merecida atenção por parte da população e das autoridades.          

  

 ficha técnica: Reportagem de José Tavares de Miranda; fotos de: Renato Cloretti, Audalio Dantas, Antonio e Angelo Pirozzelli; 6 páginas, com fotos.           








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